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Bistecão Ilustrado do Abril Beniciano 2007

julho 3, 2007


Um dia pra ficar na História

Acordei cedo achando que já era tarde. Olhei para o relógio e eram quase 5 da manhã. Fiz isto mais duas vezes antes de chegar a hora de levantar. Tive uma manhã rotineira, e contei as horas até pegar o carro e ir até o aeroporto de Congonhas encontrar o Kako, para recepcionar o Benício. Chegando lá acabou a rotina e minha tarde não poderia começar melhor, com o Kako contando estórias inacreditáveis sobre a revista Grandes Guerras, de um colaborador que tinha um furo de baioneta na perna recebido durante uma reportagem na Índia, além de curiosidades, parcerias e participações nas pautas, enfim, legal bagarai.

Aí chegou o Mestre Benício, atrás de um sorriso enorme, que me lembrou os holofotes e a alegria de um estádio em noite de final de campeonato. Entre abraços e piadas hilárias tínhamos poucas mas boas opções de lazer para oferecer ao nosso convidado mais que especial: Ver a exposição Leonardo da Vinci, visitar a loja Pintar no bairro da Pompéia ou levá-lo ao hotel para uma merecida soneca. Tentamos ver o colega de profissão, o Leo” para os íntimos, hahahaha, mas como ele está muito pop, famoso e metido, a fila de “amigos do Leo” era imensa, e desistimos antes de sair do carro.

julho 3, 2007

Fomos para a Pintar, e no meio do caminho havia uma fábrica, havia uma fábrica no meio do caminho.

No percurso ele nos conta sobre os originais recuperados da série ZZ7, dos livrinhos de faroeste, da Brigitte Monfort, centenas deles, a venda em uma feirinha de rua… e do cinéfilo colecionador de originais cuja casa é um verdadeiro “museu Benício”, enfim, causos que dariam tema para um filme. Paramos de surpresa na Fábrica de Quadrinhos chegamos de sopetão no estúdio, e lentamente o pessoal descolou os olhos da telinha e se tocou que “the man was in the house“.

julho 3, 2007


Fotos do time reunido, abraços, e descemos para conversar na sala de reunião, onde resolvemos todos os problemas do mundo, mas como ninguém anotou nada, as grandes resoluções que colocariam o mundo em ordem foram esquecidas naquela noite mesmo, durante a festança que será relatada em detalhes logo mais.

julho 3, 2007


Esticamos mais de uma hora contando e ouvindo estórias, na inestimável companhia do Benício e se não fosse pelo Bistecão, teríamos virado a noite ali mesmo, conversando até o amanhecer. Assunto nunca iria faltar. Mas tínhamos pouco mais de duas horas para inaugurar a festa no Sujinho, e havia algo importante a ser feito antes do primeiro copo de cerveja.

Estávamos ansiosos para visitar a loja de brinquedos, digo, parquinho de diversões… opa, outro ato falho… vou tentar de novo… a loja… ok… de materiais… de pintura e desenho… chamada… DISNEYLANDIAAaaa… não, caramba, errei de novo, que coisa!

Era a Pintar pronto, falei, o nome da loja é Pintar. Pintar. A boa e velha Pintar, que fica na rua Cotoxó, sei lá que número, só sei que é grande pacas, tem 3 andares que deixam qualquer ilustrador virando ozóio, de queixo arrastando no chão, querendo comprar tudo que vê pela frente. Nunca apareçam por lá, aquilo é o templo das perdições e ninguém sai de lá sem cometer pelo menos meia dúzia de pecados capitais.

E fomos todos, Benício, Kako, eu, o Vilela e sua muleta para a Pintar. A muleta mereceria um capítulo a parte, mas basta dizer que foi conquistada como um troféu de guerra durante mais uma duríssima peleja do nobre esporte bretão, que eu nunca saberei se é a primeira ou segunda paixão do Vilela. Ilustração ou futebol? futebol ou ilustração? Duvido que ele mesmo saiba.

E rodamos pela loja, e babamos em cada balcão, e compramos algumas traquitanas, e saímos de lá, cada um com uma sacolinha miúda nas mãos e com pelo menos cem paus a menos no banco, mas com uma vontade doida de voltar, mesmo antes de chegar no carro.

julho 3, 2007


Deixamos o Vilela e sua inseparável muleta no seu inseparável local de trabalho, e zarpamos para o centro da cidade.

Chegamos lá com pouco mais de meia hora de antecedência, e decidimos visitar outro templo sagrado, a casa do Kako.

Ooommmmm… cara, vou te contar, nada como entrar no local de trabalho de quem a gente admira e cultua como um Guru. Tem uma vibe incrível, e é inevitável pensar “caraca, é neste cantinho aqui que o cara produz aquilo tudo“.

julho 3, 2007

E neste pequeno templo, com o alinhamento de planetas estalando as galáxias sobre nossas cabeças, enquanto o Kako nos mostrava alguns livros raros, imensos e espetaculares, o Benício discretamente abre uma maleta e toca espalhar dezenas dos originais que ele comentou durante a tarde, preservados impecavelmente, de uma beleza surreal. Eu e o Kako queríamos que o tempo parasse ali, naquele instante… por pelo menos umas horas, porque já estava na hora de descer e recepcionar a galera do Bistecão.

julho 3, 2007


E caiu a noite, descemos para o Sujinho, e foram assim as primeiras 5 horas do Benício na nossa companhia. Ou seriam as nossas horas em companhia do Benício?

julho 3, 2007


Passei a tarde com 3 dos meus maiores ídolos de todos os tempos, e me senti caminhando ao lado de gigantes. Isto por si já era demais, mas eu também estava ansioso pela festa, por rever amigos, trazer minha mulher e meu filho para seu primeiro Bistecão, e mesmo sabendo que a longa noite estava apenas começando, eu jamais poderia imaginar que ainda faltavam 10 horas entre a primeira cerveja e meu travesseiro.


As galáxias continuavam estalando, sinalizando o que estava por vir…

Montalvo Machado – São Paulo, SP

julho 3, 2007

Traços de Felicidade


A história deste cearense começa assim: São 5 horas da manhã e minha missão acaba na grande Cidade de São Paulo. Estou voltando do Bistecão Ilustrado. No táxi: eu, Benício, Montalvo e o ilustre motorista. O Benício e o Montalvo falam sobre felicidade. Neste dia, os dois tiveram várias. 0 taxista concentrado na direção e eu, enquanto escutava os dois mestres conversando, tinha uma pergunta que martelava na minha cabeça:

Será que o meu filho já nasceu?”

julho 3, 2007


O Benício explicava que felicidade era conhecer muitas pessoas que admiravam o seu trabalho, o Montalvo reforçava dizendo que ele era um ícone para antigas e novas gerações de ilustradores e lembrava ainda o dia que tinha ligado convidando o Benício para participar da Ilustrasite. Como isso o tinha deixado feliz e como foi importante para o crescimento da lista.


Realmente essa ligação foi importante. Foi por causa dela que várias coisas nasceram para a ilustração nacional; a lista Ilustrasite cresceu, idéias vindas de todos os cantos do Brasil, textos e mais textos, desenhos, referências, links, associações, encontros, guias e o mais importante, um pensamento em comum, A VALORIZAÇÃO DA PROFISSÃO ILUSTRADOR.


E por falar em nascer, olho pela janela do carro e lembro com saudade da minha mulher com oito meses de gravidez no aeroporto, ainda lá em Fortaleza, perguntando:


Thyago, será que vai nascer antes de você chegar? – encostei perto da barriga dela e disse:
Espere eu voltar de São Paulo, ok!


Mas ele não esperou e iria nascer hoje, daqui a algumas horas, minutos, ou será que já tinha nascido??? Será que está tudo bem?